Anjos de Fogo e Gelo aborda a obra de Rimbaud, contrastando-a com seu relacionamento com Verlaine. A atitude visionária e intempestiva do primeiro ainda é posta em interface com a sociedade francesa do período. Rompendo a ordem cronológica, os personagens têm suas essências colocadas em conflito através de uma linguagem lírico-dramática.


Ficha Técnica

Texto: Moisés Neto
Direção: José Francisco Filho
Elenco: Stella Saldanha, George Meirelles, Ivonete Melo, Roger Bravo
Cenário: Marcondes Lima
Figurino: Aníbal Santiago
Diretor de Arte e Fotografia: Renato Filho
Preparação Vocal: Flávia Layne
Maquiagem: Henrique Melo
Trilha Sonora: Fernando Lobo
Sonoplastia: Diogo Barbosa
Assessoria de Relações Públicas: Vera Brandão
Fotos: Fausto Uchoa
Programação Visual: Rodrigo Menezes e Kássia Araújo
Iluminação: Cleyson Ramos e Nadjackson Lacerda
Produção: RAINBOW
Produção Executiva: Esileide Vieira

Teatro Barreto Júnior
Recife, 2008




Video
ANJOS DE FOGO E GELO - de Moisés Neto. Direção José Francisco Filho. Com George Meireles, Roger Bravo, Stella Maris e Ivonete Melo. Teatro Barreto Junior - Recife


Matérias publicadas

Alex Alencar, na sua coluna do JC, Caderno C
Publicado em 26.09.2008:

Não diria que o relacionamento homo tornou-se algo absolutamente natural. Pela evolução no mundo, pelas propostas das novas religiões, bem poderosas, ou de novas maneiras de acreditar e ter fé num Deus. As várias igrejas que partem de um país e vão atravessando pacificamente outras fronteiras mudaram as idéias e posicionamentos. A liberdade e os novos direitos que surgiram permitiram que atrizes famosas, ou pessoas com elevado nível social e financeiro, até militares tomaram a decisão de posar para fotos de jornais confessando que são do mesmo sexo mas que se amam. Atitude forte. Claro que muitos não aceitam, mas que fiquem apenas com seu direito. Não persigam, não matem nem maltratem aqueles que fizeram a opção. Tenho um DVD que narra o relacionamento amoroso de dois dos maiores poetas franceses em toda história da literatura francesa, são Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. No filme quem interpretou Rimbaud foi Leonardo De Caprio, que vem se revelando bom ator, o Verlaine teve como intérprete um ator francês. Não vou comentar o filme. Mas a história amorosa e dramática dos dois poetas está sendo representada no teatro Barreto Júnior aos sábados e domingos com o título de Anjos de fogo e gelo, dirigido por José Francisco. Tenho ouvido muitos depoimentos sobre a peça. Vera Brandão achou colossal, e tem bom gosto. O tema é insólito, mas deve ser visto.



O escritor e jornalista Raimundo Carrero escreve sobre ANJOS DE FOGO E GELO no SUPLEMENTO CULTURAL DO DIÁRIO OFICIAL do Governo do Estado de Pernambuco (Editado pela CEPE em Setembro de 2008):


SOBRE O AMOR MAGOADO


O que mais importa na arte: o artista ou a obra? A pergunta nem sempre tem resposta segura. Em princípio pode-se dizer, simplesmente, a arte. O que seria o ideal, claro. Mas nem sempre é assim. Há vidas que superam o objeto artístico e se impõem pela forma, pela qualidade. Pela loucura, talvez. E há casos em que arte e artista se confundem tanto, que uma coisa jamais será separada da outra. É o caso das vidas de Rimbaud e Verlaine? Ou seria mais apropriado dizer das duas em uma só?

Os dois se transformaram em símbolos do amor gay, embora cheios de violência, sofrimento e dor. E não somente para eles; também para as esposas e, lógico, para os parentes e amigos. E é justamente para refletir sobre essa turbulência que está em cartaz, no Teatro Barreto Júnior, a peça “Anjos de fogo e gelo”, de Moisés Neto, som e direção de José Francisco. Um espetáculo difícil, que exige o máximo do elenco, sobretudo de George Meireles e Roger Bravo.

Além da natural e óbvia responsabilidade de encarnarem personagens-símbolos de toda uma geração e de toda uma época, enfrentam um texto exigente naquilo que a peça de teatro tem de mais significativo: o condicionante humano no tratamento do mundo gay. Algo que provoca sempre divergências profundas e gestos desmesurados. É claro que não é atributo apenas de pessoas do mesmo sexo. As atribuições estão em todos. Mas, no caso especial dos dois, que também geraram obras de artes extraordinárias, a paixão e a convivência causariam, como causaram, muitas inquietações.

Basta lembrar o tiro que Verlaine deu em Rimbaud, na Bélgica, e que por isso TVE de pagar pena de prisão. É claro que o tratamento agressivo pode ocorrer entre casais os mais diversos, do mesmo sexo ou não. Violência não tem particularidade. O efeito da luta, porém, recebe hábil tratamento no texto do experimentado Moisés Neto, através de referências e alusões. Até porque um tema que começa a entrar na infalível lista do lugar-comum é a violência.

A direção da peça não conseguiu evitar outro lugar-comum da arte contemporânea: as cenas de sexo. A arte contemporânea terá que superar esse impasse – seria mesmo um impasse? – de tratar o sexo e a violência em todas as manifestações artísticas. Sobretudo no caso do amor entre pessoas do mesmo sexo. É algo que está beirando o óbvio e, por isso mesmo, precisa ser repensado. O sexo ainda causaria, mesmo, estranhamento artístico? É um elemento artístico de qualidade? Ou ainda provoca escândalo e,por ser escandaloso, geraria o fator artístico? É o caminho? Uma das questões da contemporaneidade, em que a violência e o sexo estão terrivelmente presentes, precisa receber outro tratamento, que não seja apenas pela beleza ou pelo escândalo.

No entanto, o que mais se ressalta no texto de Moisés Neto é o equilíbrio cênico, o que também é um atributo do diretor. Dentro de um cenário leve, também com ótimo equilíbrio de luz, pode-se acreditar, sinceramente, naqueles dois seres dilacerados, na pele de George Meireles e Roger Bravo, sem esquecer as duas atrizes Stella Maris e Ivonete Melo. As duas, aliás, fazia tempo que não pisavam no palco. E estão ótimas. Seguras, firmes. Trabalhando este lado mais inquietante do drama teatral que, no entanto, não tem nada de teatral – na origem são duas mulheres que se debatem entre a dor e o amor. E nada mais intranqüilo do que o amor magoado. O amor que se debate entre o choro e o soluço.



JORNAL DO COMMERCIO:

Anjos e fogo e gelo grava DVD no Barreto
Publicado no CADERNO C em 19.09.2008

Iniciando a quarta semana de exibição, Anjos de fogo e gelo, peça que mostra o conturbado relacionamento entre os poetas franceses Rimbaud e Verlaine, será gravada em DVD amanhã, às 20h, no Teatro Barreto Júnior. Quatro câmeras captarão as imagens e microfones direcionais serão instalados nas coxias do teatro garantindo a qualidade do som. O DVD será legendado em inglês e francês. O material será usado também para divulgar o espetáculo nos principais festivais cênicos do País. Com texto de Moisés Neto e direção de José Francisco Filho, a peça traz George Meireles (Verlaine), Roger Bravo (Rimbaud) Stella Maris Saldanha (Mathilde) e Ivonete Melo (Vitalie). O ingresso custa R$ 20, inteira, e R$ 10 (estudante).


JORNAL DO COMMERCIO

Coluna social DIA-A-DIA. Segunda-feira, 01/09/08:

Estréia de sucesso: Arrebentou a estréia da peça Anjos de fogo e gelo, no Barreto Júnior, sábado. O teatro teve lotação esgotada, com direito a muitos conhecidos na platéia. Por lá: Turíbio e Zezinho Santos, Carlos Trevi, Paula Ribeiro... que gravaram depoimentos sobre a peça. Detalhe: para o espetáculo de ontem, mais de 100 ingressos já haviam sido vendidos até a noite de sábado.



Publicado no DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Em 01.09.08


Rimbaud e Verlaine:

Anjos de fogo e gelo estréia com teatro lotado


Tatiana Meira // Diario
tmeira@diariodepernambuco.com.br


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Romance conturbado dos poetas é revivido pelos atores Roger Bravo e George Meireles. Foto: Renato Filho/Divulgação

Para o diretor José Francisco Filho, fazer teatro é como andar de bicicleta. Você pode passar anos sem ter contato com o palco, mas quando decide retornar, esta volta transcorre naturalmente. A julgar pela interpretação do elenco de Anjos de fogo e gelo, que fez sua estréia neste final de semana, no Teatro Barreto Júnior, o diretor tem razão. Quatro atores estão em cena - Roger Bravo, George Meireles, Stella Maris Saldanha e Ivonete Melo.Os três últimos não encaravam os espectadores numa peça adulta há anos e defenderam com dignidade seus papéis.

Apesar da atuação correta e da produção impecável, a história do amor conturbado entre os poetas Paul Verlaine (George Meireles) e Arthur Rimbaud (Roger Bravo), em plena Europa do século 19, carece de mais emoção. Não sei se esta impressão persiste por estarmos acostumados a textos mais lineares. A peça inova e coloca os personagens mergulhados em seu próprio fluxo de consciência. Da acolhida de Rimbaud pelafamília de Verlaine, ao fim do casamento entre este e a aristocrata Mathilde, ou a passagem de Rimbaud pela África, somos apresentados a situações-limite, e há instantes, como na primeira cena, em que a poesia se confunde com os diálogos.

O texto, de autoria de Moisés Neto, também evita o caminho mais fácil ao apenas pincelar os fatos mais conhecidos do relacionamento tempestuoso dos poetas. Os dois tiros que Verlaine deu em Rimbaud, e que o levaram a ficar um ano e meio numa prisão da Bélgica, são apenas citados, ficando tudo nas entrelinhas.

A questão da homossexualidade também poderia ser tratada com menos pudores. Na segunda cena da peça, quando Verlaine e Rimbaud ficam nus e fazem sexo, o palco fica quase na penumbra. Eles atingem o clímax e, instantes depois, já estão discutindo novamente, como se nada de importante tivesse acontecido. Verlaine corre para vestir a roupa de baixo, como se ficasse envergonhado do próprio corpo. Nota dez para os figurinos e adereços de época criados por Aníbal Santiago e para o cenário de Marcondes Lima, com várias escadarias e plataformas de madeira por onde o quarteto se movimenta.

Extremamente pontuais em relação ao teatro local, que costuma atrasar em até meia hora o início de uma peça, Anjos de fogo e gelo começou às 20h05 do último sábado. A platéia do Barreto Júnior estava abarrotada de gente e quem chegou por último precisou se acomodar nos corredores laterais, ficando em pé, enconstado nas paredes. Ao contrário de outras ocasiões, porém, o elenco não agradeceu formalmente à presença do público, nem aproveitou a oportunidade para explicar até quando ficariam em cartaz. Apenas Roger Bravo e Ivonete Melo se abraçaram ao final do espetáculo, talvez pela tensão da estréia.

Em seguida, as luzes do palco se apagaram e o público começou a deixar a sala. A platéia, aliás, continua mal-educada: os celulares tocaram repetidas vezes durante a encenação. Quem comparecer à temporada, que continua até meados de novembro, aos sábados e domingos, às 20h, pode adquirir o programa da peça junto com um brinde - um CD com poesias de Rimbaud e Verlaine- por R$ 5.



ESTRÉIA: Poesia e erotismo em lavagem de roupa suja
Publicado no JORNAL DO COMMERCIO em 01.09.2008

Marcos Toledo

mtoledo@jc.com.br


O público recifense lotou o recém-reaberto Teatro Barreto Júnior, no Pina, anteontem, para conferir a estréia de Anjos de fogo e gelo, espetáculo dirigido por José Francisco a partir de texto de Moisés Neto. Apesar do zunzunzum gerado pela polêmica em torno do tema, a relação amorosa entre os poetas franceses Rimbaud e Verlaine, a peça, com menos de uma hora de duração, contém apenas uma seqüência de erotismo (a programação visual do material de divulgação pode gerar expectativa) e foca mais na tensão do triângulo amoroso formado pelo par central e a esposa de Verlaine, Mathilde.

Mesmo quando não há figurino em cena, Anjos de fogo e gelo é uma grande lavagem de roupa suja entre os personagens supracitados e a mãe de Rimbaud, Vitalie. Bem-escolhidos, os atores encarnam bem os papéis aos quais foram destinados: Roger Bravo, na pele do jovem, arrogante e desmedido Rimbaud, George Meireles, como o inseguro Verlaine, Stela Maris encarnando a preterida e rancorosa Mathilde, e Ivonete Melo como a mãe amargurada Vitalie, responsável por algumas das falas mais engraçadas da peça.

Apesar da tensão da estréia, e até pela larga experiência dos profissionais envolvidos, o espetáculo se saiu bem em sua primeira apresentação. O texto, porém, tem uma particularidade: mescla momentos históricos de uma maneira paradidática, mas necessária, com citações poéticas e diálogos de conflito dos personagens. Há contudo, um certo desequilíbrio entre os momentos de mágoa – mais fortes –, os românticos e os líricos.

Em um cenário bem bolado, que segue uma tendência prática e funcional, o elenco destila os dilemas dos personagens se movimentando de forma bem coreografada que deixa o trabalho mais dinâmico. A boa trilha sonora e o belo figurino de época completam os pontos fortes da peça que, tecnicamente, coloca-se acima da média da produção local.



DIÁRIO DE PERNAMBUCO


Quinta-feira- 28.08.08


O amor conturbado de Rimbaud e Verlaine

por Tatiana Meira


Estréia // Anjos de fogo e gelo inicia temporada sábado no Teatro Barreto Júnior e quebra o jejum dos atores George Meireles, Stella Maris Saldanha e Ivonete Melo, que estavam distantes dos palcos
Tatiana Meira // Diário: tmeira@diariodepernambuco.com.br


Quando assistiu à montagem carioca Pólvora e poesia, sobre o relacionamento tempestuoso entre os poetas Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, George Meireles gostou do resultado, mas sentiu falta de um enfoque maior na obra dos artistas cujo romance conturbado movimentou os cafés parisienses no final do século 19. A vontade de interpretar este drama amoroso que gerou polêmica acabou tornando irrecusável o convite feito ao ator - há uma década longe da ribalta - pelo diretor José Francisco Filho e pelo escritor Moisés Neto, autor do texto original de Anjos de fogo e gelo. A estréia do espetáculo será neste sábado, no Teatro Barreto Júnior, no Pina, com temporada até 16 de novembro, sempre aos sábados e domingos, às 20h. "A poesia é a forma do texto, que assume um formato diferente, o que me instigou muito", destaca George.

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Foto: Renato Filho/Divulgação

Com uma trama enxuta, de 55 minutos, Anjos de fogo e gelo relata a história dos dois poetas, vividos por George Meireles (que faz Verlaine em dois momentos, aos 27 e aos 60 anos) e Roger Bravo (Rimbaud), etambém marca a volta à cena das atrizes Stella Maris Saldanha (a aristocrata Mathilde Mauté de Fleurville, que viu seu casamento de dois anos com Verlaine ser esfacelado quando ele se interessou por Rimbaud) e Ivonete Melo (na pele de Vitalie, a mãe de Rimbaud). "O quinto ator é a luz, que faz com que o público se reporte aos atores e aos planos e escadarias onde se realiza a ação", diz o diretor José Francisco Filho.

Ele explica que os cenários de tom expressionista criados por Marcondes Lima contrastam com os figurinos rebuscados de época pensados por Aníbal Santiago, numa reconstituição rigorosa da indumentária do final do século 19. A trilha sonora erudita proposta por Fernando Lobo, a maquiagem de Henrique Melo e a direção de arte de Renato Filho também ajudam a dar o tom naturalista da montagem, onde os atores foram orientados a economizar nos gestos e na voz e a focar a interpretação nas expressões faciais. "Todo o trabalho é fruto de muita pesquisa, do cuidado com os fatos históricos, para conseguir passar ao público a vida e a obra de Verlaine e Rimbaud", pontua o diretor.

Stella Maris Saldanha está muito emocionada com este retorno aos palcos. "Tenho uma relação muito visceral com o teatro, mas estava sem atuar desde o final da década de 1980, embora tenha participado duas vezes da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém", recorda Stella. Para ela, Mathilde tem um papel estratégico no triângulo amoroso que acaba formando com Verlaine e Rimbaud, experimentando um processo de muito sofrimento. "Ela fica amargurada, magoada, pois é surpreendida por esta relação tempestuosa, até que a dor fica insuportável", explica. A atriz afirma que também está feliz por perceber um "burburinho", uma chama que se acende novamente na cena teatral pernambucana. "Já fomos a terceira capital em produção teatral no país, atrás apenas do Rio e de São Paulo. Temos um movimento muito generoso na música e no cinema, mas no teatro esta palidez ainda está se desfazendo".

Na opinião de Roger Bravo, os oito meses transcorridos entre a leitura do texto e os ensaios vêm sendo bastante intensos. "É um mergulho no desconhecido, uma experiência libertadora, sem fórmulas a seguir", diz Roger, que fica praticamente o tempo todo em cena como Rimbaud, o que exige um alto nível de concentração.

George Meireles acredita que participar de Anjos de fogo e gelo é ainda mais provocador porque o ambiente é simples e não restam "muletas" para apoiar a interpretação do elenco. "É mais difícil, porque somos levados a passar a alma do personagem", revela George, que havia feito a promessa de só voltar ao teatro com uma peça de conteúdo denso, que possa desafiar o público.

Serviço

Anjos de fogo e gelo

Direção de
José Francisco Filho
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Jeremias Bastos, Pina)
Quando: Estréia sábado, às 20h. Em cartaz aos sábados e domingos, às 20h, até 16 de novembro
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)



Diario de Pernambuco - PE
29/08/2008 - 07:32

Paixão visceral embalada pela poesia
Amor de Arthur Rimbaud e Paul Verlaine é tema da peça Anjos de fogo e gelo, que estréia no Barreto Júnior

Tatiana Meira


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Espetáculo remete à ebulição cultural da França no século 19. Foto: Renato Filho/Divulgação

Um paralelo entre a vida e a obra poética de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, mostrando as influências mútuas entre os dois poetas, ajuda a compor o enredo de Anjos de fogo e gelo, peça que estréia sábado, às 20h, no Barreto Júnior, no Pina. Além de trazer para o teatro a trajetória pessoal e artística de Anjos de fogo e gelo dois ícones da literatura francesa do século 19, o espetáculo conseguiu reunir no mesmo elenco atores que estavam afastados dos palcos há vários anos, como George Meireles (que vive Verlaine), Stella Maris Saldanha (que estava longe das artes cênicas desde o final da década de 1980) e Ivonete Melo. Também faz parte deste time Roger Bravo, que interpreta Rimbaud.

Dirigido por José Francisco Filho e baseado no texto escrito por Moisés Neto, Anjos de fogo e gelo opta por abordar a paixão avassaladora entre Verlaine e Rimbaud, para discutir uma relação amorosa que poderia acontecer independentemente do sexo. No lugar de uma narrativa convencional, são as poesias que costuram os diálogos, onde os atores foram orientados a seguir um gestual minimalista, para ressaltar a força da interpretação individual. "Sabíamos da responsabilidade do projeto e nos dedicamos a ele com uma entrega visceral", garante George Meireles.

Os cenários foram criados por Marcondes Lima, os figurinos são assinados por Aníbal Santiago - que também estava há anos sem trabalhar na composição de figurinos teatrais -, a trilha sonora é de Fernando Lobo e a maquiagem, de Henrique Melo. A peça ficará em cartaz aos sábados e domingos, às 20h, até o dia 16 de novembro. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).




FOLHA DE PERNAMBUCO SÁBADO - 30/08/2008

Encontros e desencontros clandestinos
“Anjos de Fogo e Gelo” retrata vida dos poetas Verlaine e Rimbaud

por Talles Colatino

Divulgação

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Peça coloca em cena momentos decisivos dos poetas



Foram dois anos de reformas, e depois da abertura oficial na última quarta-feira, Recife agora conta com um Teatro Barreto Júnior apto e seguro a receber peças em seu palco. E para marcar a nova fase do espaço, acontece hoje a estréia da peça “Anjos de Fogo e Gelo”, que retrata os encontros e desencontros de dois dos maiores poetas de todos os tempos, Verlaine e Rimbaud.

A vida e a obra dos dois poetas e amantes ganham vida cênica com a direção de José Francisco e conta com George Meireles e Roger Bravo como protagonistas. “Anjos de Fogo e Gelo” retrata um período da vida dos poetas, no qual Verlaine, entusiasmado com os versos do jovem poeta, Rimbaud, o convida para morar com ele e sua mulher, Mathilde (vivida por Stella Maris Saldanha). A partir daí cresce então uma grande cumplicidade entre os dois artistas e uma intensa paixão.

O espetáculo coloca em cena momentos decisivos da vida dos dois poetas. Mesclando a história com poemas de ambos, a peça traça um paralelo entre a vida e a obra poética deles, mostrando como um influenciou o outro. Fica certo que poesia de Verlaine não é mais a mesma desde seu encontro com Rimbaud. Assim como esse mergulha no universo poético de Paul Verlaine, onde sua erudição contribui para que Rimbaud passe a criar uma obra refinada e profunda.

O texto da peça é de Moisés Neto e completam o time Renato Filho (direção de arte), Fernando Lobo (direção musical), Marcondes Lima (cenários), Aníbal Santiago (figurinos) e Henrique Melo (maquiagem). “Anjos de Fogo e Gelo” fica em cartaz até o 16 novembro, sempre aos sábados e domingos, às 20h.

Serviço
“Anjos de Fogo e Gelo”
Sábados e domingos, às 20h
Teatro Barreto Júnior
Ingressos: R$ 20 e R$ 10.



» ESTRÉIA
Dois homens e um livro aberto
Publicado no JORNAL DO COMMERCIO em 29.08.2008

Anjos de fogo e gelo leva o romance entre Rimbaud e Verlaine, poetas franceses para o novo Barreto Júnior

Fabiana Moraes

fmoraes@jc.com.br

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A história de um dos romances mais comentados de todos os tempos começa a ser encenada amanhã em um Barreto Júnior novinho em folha: Anjos de fogo e gelo, direção de José Francisco e texto de Moisés Neto, conta o atribulado amor entre Rimbaud e Verlaine, poetas-chave da França do século 19. O par será vivido pelos atores George Meireles (Verlaine) e Roger Bravo (Rimbaud), que sobem ao palco ao lado de Stela Maris e Ivonete Melo (elas vivem Mathilde, a mulher de Verlaine, e Vitalie, mãe de Rimbaud, respectivamente). O espetáculo marca o retorno de Meireles, Ivonete e Stella ao palco, além da volta de José Francisco ao universo das montagens adultas – sua última incursão nesse sentido aconteceu há oito anos.

“É engraçado, muita gente tem me perguntado como está sendo volta aos palcos, mas você não volta de onde nunca saiu, não é?”, brinca o diretor, que durante todo este tempo esteve à frente de peças infantis (como A revolta dos brinquedos, que volta em breve aos palcos) e envolvido nas aulas do curso de artes cênicas da Universidade Federal de Pernambuco. “Também estou montando Apareceu a Margarida com a Trupe do Barulho”, adianta ele. É de José o projeto que se concretizou em peça, uma mescla moderna de homoerotismo e poesia. “Não sou um fã de carteirinha da poesia de Verlaine e Rimbaud, e sim fascinado com o rompimento da linguagem poética”, conta o diretor. “Rimbaud desafia a alta burguesia francesa quando diz simplesmente ‘eu não sou assim’, ele quebra as estruturas pelo deboche”, fala.

A forte presença das mulheres foi determinante para a encenação poética do relacionamento entre Rimbaud e Verlaine (aliás, o romance entre os dois poetas foi encenado com sucesso em 2000, quando Pólvora e poesia recebeu o prêmio Shell de melhor texto). “Rimbaud não era ninguém sem a mãe”, opina José Francisco. O cenário de Marcondes Lima faz do palco um verdadeiro livro aberto – é totalmente expressionista, pontua o diretor – enquanto os figurinos de Aníbal Santiago, verdadeiro pesquisador de indumentárias, seguem a linha realista. É século 19 do sapato ao lencinho.

O ator George Meireles – que havia atuado pela última vez há dez anos em O avarento – pesquisa há quase um ano o papel do exuberante Verlaine, que larga a mulher e o filho recém-nascido para viver o tórrido relacionamento com Rimbaud. “Aos 19 anos, ele já era considerado um grande poeta, tanto que recebeu o título de ‘príncipe’ por parte dos franceses. Victor Hugo ficou impressionado com seu primeiro poema”, conta Meireles, lembrando que Verlaine supera Rimbaud em termos de popularidade naquele país – aqui, é justamente o oposto. A separação de Mathilde, os passeios pelo boulevard Saint-Michel (lugar de “pegação” onde até hoje michês fazem ponto, escandalizando os moradores bem-nascidos do 5º e do 6º arrondissement) e os dois tiros desferidos contra Rimbaud são algumas das passagens vividas pelo jovem poeta e encenadas em Anjos de fogo e gelo. Vivendo o par trágico e amoroso de Verlaine está o ator Roger Bravo, que já foi dirigido por nomes como Carlos Bartolomeu e Marco Camarotti. Um grande trunfo da peça, é claro, é a participação de Stella Maris (Um deus dormiu lá em casa, 1988) e Ivonete Melo (seu último trabalho foi Abelardo e Heloísa, criado em 2000).

Quem for conferir o espetáculo leva um presentinho de Rimbaud e Verlaine: além do programa, será distribuído um CD com poemas e a trilha sonora do espetáculo. Anjos de fogo e gelo ficará em cartaz aos sábados e domingos, às 20h, no Teatro Barreto Júnior. O ingresso custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (estudante).






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